
Era apenas um flor.
Uma flor, na beira da praia,
Na beira do riacho,
Na beira do precipício
Na beira do algo
Na beira do tudo
À beira de nada...
Deu-se em desvarios
Deu-se em desatinos
Deu-se ao amor, entregou-se a tudo
Deu-se meu Deus...
Deu-se a viver, querer bem, e sobreviver...
Nas mãos da jardineira que cuidara
Ao carinho a que a ela foi dada
Não carecia de exigências, de muitos cuidados
Não carecia de frescuras, nem de venturas
Nem de festa, nem de relva...
A flor era o que era
Formosa, linda e radiante
Seiva viva e bruta
Ser perfeito, e sem igual...
Mas ao surgir dos caules, os espinhos
E a jardineira, ferindo-se, e tendo-se ferida
Do toque sutil que a agressão causara
Causou medo de cuidar, de alimentar
De levar ao sol, de preservar...
A flor, de tamanha ingenuidade
De tamanha incapacidade
De arrancar seus espinhos
Desfalecia, ao passar das horas
Dos dias, dos meses...
Sem o cuidado daquela que a amava
A flor sofria, dispersada
Suas pétalas murchas e pálidas
Sofrem ao sabor do vento,
Sofrem a ação do tempo
Vão, uma a uma, vão se indo
Como o fim de todos os fins...
Acabando-se, acabando-se...
Para nunca mais respirar
Para nunca mais sonhar
Para nunca mais estar
Naquele chão
Naquele lugar
Naquele céu
Que a jardineira andava...
...Que se chamava amor.
Berkmis Viana , em 17 de abril de 2009






