sexta-feira, 17 de abril de 2009

Flor...






Era apenas um flor.
Uma flor, na beira da praia,
Na beira do riacho,
Na beira do precipício
Na beira do algo
Na beira do tudo
À beira de nada...


Deu-se em desvarios
Deu-se em desatinos
Deu-se ao amor, entregou-se a tudo
Deu-se meu Deus...
Deu-se a viver, querer bem, e sobreviver...


Nas mãos da jardineira que cuidara
Ao carinho a que a ela foi dada
Não carecia de exigências, de muitos cuidados
Não carecia de frescuras, nem de venturas
Nem de festa, nem de relva...


A flor era o que era
Formosa, linda e radiante
Seiva viva e bruta
Ser perfeito, e sem igual...

Mas ao surgir dos caules, os espinhos
E a jardineira, ferindo-se, e tendo-se ferida
Do toque sutil que a agressão causara
Causou medo de cuidar, de alimentar
De levar ao sol, de preservar...


A flor, de tamanha ingenuidade
De tamanha incapacidade
De arrancar seus espinhos
Desfalecia, ao passar das horas
Dos dias, dos meses...
Sem o cuidado daquela que a amava


A flor sofria, dispersada
Suas pétalas murchas e pálidas
Sofrem ao sabor do vento,
Sofrem a ação do tempo
Vão, uma a uma, vão se indo
Como o fim de todos os fins...


Acabando-se, acabando-se...
Para nunca mais respirar
Para nunca mais sonhar
Para nunca mais estar

Naquele chão
Naquele lugar
Naquele céu
Que a jardineira andava...


...Que se chamava amor.


Berkmis Viana , em 17 de abril de 2009


sábado, 14 de março de 2009

Sabe...




Sabe,
Tem horas que me pego, pensando em você
Mas não é o apego, a falta...
É algo mais que inexplicável
Algo que só sei explicar com o silêncio
Algo que só sei dizer com os meus olhos...

Só sei que deu-me a vontade de correr pros teus braços
Como criança de novo...
Lembra daquela vez, que eu fiquei triste e que você veio
E me abraçou, e me disse que tudo estava bem?
E eu repleto daquele amor, único, quase eterno
Saberia que se eu só tivesse ele, eu seria feliz...

O tempo passou, e eu cresci, você cresceu, e nós mudamos
Tão próximos, mas tão distante as vezes...
Se lembra que você me disse uma vez, que nunca me deixaria?
Que passasse o que passasse, nunca me deixaria?

Só que o tempo passou e a gente mudou,
Tanta coisa aconteceu, e a gente se separou
Pra você ser feliz do seu jeito, e pra eu ser feliz do meu jeito também
E aquele vazio ficou, daquele seu abraço...

Vazio que não se completa com lembranças,
Vago que não se preenche com telefonemas
Nem com presentes, e todo aquele blá blá blá de sempre...

Eu ainda te reencontrei, outra vez
Corri pros teus braços, guardei-me para aquele aconchego...
Não durou mais que um dia, um momento
Não durou mais do que a conveniência da saudade “eterna”
Era mais importante o outro ser, o novo, o que te completava...
Já que o velho já não tinha tanta graça...

Procurei esquecer, procurei distrair a certeza
De querer desejar teus braços de novo
Mas é algo mais forte do que eu,
É sangue, é carne, dentro de mim...

Por isso que me pego, sentindo saudades tuas
Do barulho, e da confusão que você causava dentro de mim...
Agora, tão distante, tão cheia de si... Onde você estará??


A única coisa que queria era só o teu abraço de novo
Mesmo que isso pra você não significasse muita coisa
Mesmo que pra você isso fosse tão frio, pela distância...

Onde está, você, agora?
Será que sente saudades minhas?
Sabe, eu vou emitir uma força, telepatia
Advinda da mais ínfima vontade
Pra você sentir saudade
Pra você querer voltar pra mim...

Saudade. Só saudade.

Berkmis Viana, em 14 de março de 2009.

domingo, 1 de março de 2009

Ele Chegou...





Ele chegou.
Quando menos esperei
Quando menos desejei
Ele chegou.

Chegou calado, taciturno
Chegou amiúde, alado, noturno
Chegou trazendo o quê do não-queria-ser
Chegou trazendo a imponência do seu poder

Desde que ele chegou
Os dias são todos iguais
Os momentos não são mais especiais
Tudo que era em torno despencou...

E eu, querendo dele me desviar
O olhar, o caminho, o pensar
Dele quis fugir, querendo dele escapar
Dele quis fingir, para não desesperar

Do longe que estava, achei que seguro ter-me-ia
A certeza de que ele não passaria, que não me veria
E tolo fui de achar que ali ele não me acharia
Disseram-me então que em todos os lugares ele estaria...

Desde que ele chegou
Meus sonhos são todos iguais
Meus projetos não existem mais
Tudo que há em mim, e de mim, desencantou.

Ele não tem pena das minhas lágrimas
Não tem pavor do meu desespero
Ele brinca entre os meus dedos, preso entre os cabelos
Ele descansa no meu triste e machucado coração...

De tão triste verso
Não sei mais se vivo, ou se vegeto
Se sou eu, ou se sou ele, das minúcias que expresso
Se sou a vida, ou a morte, daquilo que eu carrego.


Eu mais nada sei
Eu só sei
Que ele simplesmente chegou
Ele chegou.


Berkmis Viana, em 23 de fevereiro de 2009.

sábado, 10 de janeiro de 2009

...




Quero algo pra acalmar meu coração
Afagar o seio, curar as mágoas
Calar a angústia, lançar fora o receio, o anseio
A desilusão, a dor, o desespero...

Então amor,
Me abraça forte, até eu me desfalecer nos teus braços
Me abraça, até eu rir e morrer no teu encalço
Me abraça... Me abraça por favor...

Me abraça até que minhas lágrimas sequem de vez
Até que os dias se findem em apenas um mês
Até que eu encontre afago no teu amasso
Até que eu me perca de uma vez nos teus passos...

Só acalma meu coração
Do algo que não se pode explicar
De algo que não se pode matar
Com um simples, e singelo... Adeus.



Berkmis Viana, em 10 de Janeiro de 2009.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Silêncio...



Por favor, não toque essa canção
Porque hoje eu só sou tristeza
Porque dela já ando cansado, sem emoção
Pois perdi a magia da verdadeira grandeza...

Aquele sorriso brincalhão, já não brilha mais
Porque agora eu só sou tristeza
Porque perdi o sentido da verdadeira grandeza
De amar, sentir, e viver em paz...

Por quê? Será que o amor me foi tirado?
Ou será que o desespero tomou conta dos meus passos?
Ou será que a doçura se foi, e me transformei nesse ser amargo?

Será porque esperei do céu, a santa providência?
Ou será apenas um inconformado apelo da inexperiência?
Ai! Afoga-se meu ser, nas águas profundas da minha consciência...



Berkmis Viana, em 24 de março de 2007.



[...] Para minhas amigas Poliane Maria e Mary Ingrid, que estavam sentindo falta destes versos... Xero pras duas...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Crianças...





Crianças gostam de quase tudo.
Quando não gostam, não demonstram falsidade
Crianças, não fazem uniões por interesses
Crianças amam por afinidade
Crianças brigam, se embolam, mas fazem as pazes...
Com a pureza da inefável primeira vez...
Crianças tem o riso puro, não irônico, não provocativo
Crianças não passam na cara o que fazem
Não dão o troco, nem por bem, ou por mal....
Crianças podem ter traumas, mas não guardam mágoas, ou ressentimentos...
Crianças fazem birra, choram por coisas fúteis
Enquanto nós, muitas vezes, por coisas inúteis...
Crianças não correm, não e preocupam com amanhã
Se comem, se vestem, ou se vão pagar as contas do fim do mês
Se o IPVA atrasou, se vão se atrasar pra encontrar a namorada...
Crianças tem a magia de encantar com um abraço
Crianças tem o “eu te amo” mais lindo que se pode existir...
Crianças tem o dom cativo de maravilhar a mais chata das criaturas...
Crianças tornam o beijo mágico: quer seja ganhado por bruxa ou por fada...
Crianças tornam a vida mais fácil, mais simples, mais leve...
Crianças acomodam a preguiça, dão o dia pra folia
Crianças tem a energia, a vitalidade
A vida, a força, a imaginação
E mesmo num mundo as vezes tão desumano
Elas tem a alegria, o prazer de ser mais ser, mais humano
E mais humano, logo mais...
... Perto de
Deus.

Berkmis Viana, 13 de dezembro de 2008.

[...]E "Jesus disse: Deixai vir a mim as criancinhas por que delas é o Reino dos Céus." Mateus 19 :14."


Como é bom ser criança... Tempo que não volta mais.


Deixo registrado meu enorme carinho por meus sobrinhos: Sara Gabriele, e Pabloh... Poesias de Deus





quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um aparte por favor? SC...


Faz dias que não escrevo. Cheio de provas e mais provas... Acabei deixando o blog um pouco de lado... Mas finalmente estou de volta...

Tanta coisa aconteceu, com tantas pessoas conversei, sobre diversos assuntos... De música à ruído, de problemas à solução, de luz à escuridão... Mas uma coisa que ando engasgado há dias, e que tinha que falar sobre algo, pelo menos com alguém, então decidi aumentar a discussão através deste blog, mesmo que fugindo à temática dele, já que desde então os versos são predominantes por aqui.


É triste ver a situação de Santa Catarina, a desolação que a chuva trouxe a milhares de pessoas, mortes, danos materiais... E ao que todo mundo sabe eu não quero me ater, até porque a tragédia é algo comum na vida do brasileiro, a mídia está aí, cada vez mais rica e inchada destas informações: morte por aqui, tragédia por lá... Com um sensacionalismo de cegar aos olhos de quem vê, para não notar a promoção da mídia através da desgraça alheia...
Se estou querendo que se pare de noticiar? Não. Realmente não. Mas a forma e de que fora isso é exposto, conta muito.
É realmente invejável a mobilização que foi movida para as vítimas da enchente. Vê-se de todo tipo de campanha, de doação de roupas à doação em dinheiro. Vê tudo. De campanhas à coberturas completas na TV, internet e outros. Teve dia que não se falava outra coisa. Mas graças a essa mobilização, às vítimas de SC, vão ter tudo que tinham, em pouquíssimo temp
o...
Mas em contraponto a esse fato, onde estarão as campanhas, as mobilizações, e as coberturas completas da mídia, sobre a seca no Nordeste? Será que foram levadas para sul, na enxurrada de destruição que atingiu SC? Pelo visto, acho que sim. Não se fala nada, não se vê
nada... E por aqui, operações carro pipa, paliativos político-promocionais são feitos, e todo ano, a mesma ladainha repete-se. Por que a mídia não divulga? Por várias razões. Será por que a noticia da seca do nordeste não dá audiência? Será porque não se arrecada mais tanto dinheiro, como uma “nova” tragédia, como a de SC? Será porque os leitores, ouvintes, e telespectadores estão anestesiados de sentimento de solidariedade com as vítimas da seca? Será porque os atingidos são do Nordeste? Ouvi uma frase de um colega esta semana, que dizia assim: Enquanto as casas bem construídas, as mansões, são destruídas em SC, aqui, no nordeste, morrem aos tantos nas “casinhas de maribondo” que só são feitas de barro, os nordestinos, morrendo de fome, de sede... E tome campanha pro Sul... “Já foram arrecadados mais de 5 milhões pelo Instituto R... para a reconstrução das casas atingidas pela tragédia”... “Doe você também!” Li uma reportagem, que os moradores de Fortaleza já tinham arrecadado milhares de quilos de alimento, roupas, entre outros, para os irmãos de SC. Enquanto os irmãos do sul do Ceará, morrem da mesma necessidade. É por isso que considero invejável o poder de massificação da mídia, que pode fazer dois irmãos – da mesma terra – se desconhecerem, e não se ajudarem. Não quero aqui dizer que não se ajude à SC, pelo contrário, se quiser ajude. Mas pra mim é muito mais doloroso ajudar a um estado já tão rico por si só, independentemente de ajuda, do que ajudar os flagelados da seca do Piauí, do Ceará, de Alagoas... Queria sim, que a mídia, se mobilizasse para uma campanha do Nordeste... Que Institutos de instituições religiosas, se mobilizassem para tal. Que o governo, a União, se mobilizasse... Por que o flagelado da seca só quer água, pra plantar, pra colher, pra vender, e viver... Água esta que se acha apenas a 75, 100 metros de profundidade, pasmem. É irônico até demais. Como mudar? Mudar tudo isso ainda depende de nós, é deixar de ter pensamento, e vontade indiretamente manipulados, é abrir os olhos para realidade que nos cerca, da visão e comportamento tendencioso de forma e cabresto que nós vivemos. Ou seremos eternas vítimas de nós mesmos, sendo do Sul, ou do Nordeste, vitimas da seca, ou das enchentes...


Berkmis Viana, em 10 de dezembro de 2008.